<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-9826172</id><updated>2011-04-22T06:30:53.765+01:00</updated><title type='text'>Viver com os Olhos</title><subtitle type='html'>Estas Almas Estão Perdidas!</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://-viver-comolhos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9826172/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://-viver-comolhos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Gonçalo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>19</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9826172.post-111394965779756427</id><published>2005-04-19T23:27:00.000+01:00</published><updated>2005-04-19T23:27:37.796+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Estou cansada...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9826172-111394965779756427?l=-viver-comolhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9826172/posts/default/111394965779756427'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9826172/posts/default/111394965779756427'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://-viver-comolhos.blogspot.com/2005/04/estou-cansada.html' title=''/><author><name>A Guardadora de Gansos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9826172.post-111054149137998628</id><published>2005-03-11T11:43:00.000Z</published><updated>2005-03-11T11:44:51.380Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>G&lt;br /&gt;U&lt;br /&gt;M&lt;br /&gt;I&lt;br /&gt;N&lt;br /&gt;H&lt;br /&gt;A&lt;br /&gt;!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!&lt;br /&gt;*derrete*&lt;br /&gt;*********************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9826172-111054149137998628?l=-viver-comolhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9826172/posts/default/111054149137998628'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9826172/posts/default/111054149137998628'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://-viver-comolhos.blogspot.com/2005/03/g-u-m-i-n-h-derrete.html' title=''/><author><name>Gonçalo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9826172.post-110884281857091670</id><published>2005-02-19T19:27:00.000Z</published><updated>2005-02-20T00:42:36.286Z</updated><title type='text'>Palavras</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sinto um aperto no coração. Pego na caneta e tento escrever... Tento traduzir em linguagem compreensível, o que não consigo perceber.&lt;br /&gt;As palavras não saem... A folha permanece branca e tu escondido dentro dela. Tu e os outros todos. Tu e aqueles onde te procuro e te tento reinventar, a ti que és tudo o que quero. Fito a folha furiosamente, como se a culpasse da minha imaturidade. Gostava de poder escrever tudo o que sinto. Gostava de poder ter à vontade para não andar à deriva, gostava de te escrever uma carta de amor e gostava de te encontrar nalguma noite escura, num dos becos desta cidade cinzenta onde me escondo...&lt;br /&gt;Tentei ser o que não era e sentir o que não sentia. Tentei ser mais forte do que sou. Tentei ser feliz onde só vislumbrava escuridão. Achei que conseguia... Achei que tinha todas as respostas, mas algo chegou e mudou-me todas as perguntas.&lt;br /&gt;Agora onde as posso procurar? Em ti...? Como se é de ti que eu fujo cada vez que me aproximo? Tu não és real. Não posso procurar perguntas ou respostas num sonho ou numa fantasia... E ironicamente também não posso continuar neste vazio e labirinto, à procura de respostas às perguntas que não conheço... Agora mudei. Agora procuro as perguntas. Procuro as perguntas em ti... em mim... neles e no tempo. No tempo que me parece tão fugaz e sem sentido... No tempo, na prespectiva, na dúvida se não será a memória o ponto crucial do nosso ser, porque o momento simplesmente passa... Às vezes pergunto-me se realmente vivo. Quando estou sozinha na escuridão apaziguadora do meu quarto, pergunto-me se todas as memórias, se todos os momentos realmente existiram e que momentos irrefutáveis os seguirão... Na escuridão do meu quarto procuro as perguntas em orações, no meu coração e no tempo que não consigo agarrar. Tenho medo que todos os momentos passem e que chegue ao derradeiro que durará uma eternidade... Descobri que tenho medo de apagar ou de esquecer as minhas memórias, porque elas dão sentido ao presente e aos momentos e trazem a doce ou amarga expectativa do futuro, que me faz sempre continuar em frente...&lt;br /&gt;A vida é tão irónica e tão fugaz. A vida não tem sentido. O presente não tem sentido. Porque no momento a seguir passa a ser passado... Não percebo.&lt;br /&gt;Não encontro as palavras. Não há palavras para descrever o que eu não compreendo. Não há nenhuma linguagem matemática ou outra, capaz de traduzir toda a plenitude de um ou mais sentimentos humanos...&lt;br /&gt;As palavras... tão fugazes. Às vezes acho que são as palavras que marcam realmente algo na sequência da vida louca que vivemos... Na vida suja e podre em que vivemos. Na decadência que nos precede, que apodrece os nossos gestos, que viola as nossas virtudes e que corrompe as nossas intenções. Na lasciva vontade desprovida de nobreza que nos move. Porque fazemos o que fazemos? Porque fazemos o errado se sabemos à partida que não resulta? Porque não nos arrependemos de o fazer...?&lt;br /&gt;No outro dia pensei sobre as crianças e em como cada novo humano tem que reaprender o que os seus antepassados se esforçaram por perceber e descobrir e achei que se houvesse alguma forma de passar estes conhecimentos geneticamente, muita sabedoria estaria ainda hoje conservada... E perguntei-me porque não seria assim. E percebi. Originaliade. Autenticidade. Não poderiamos ser diferentes, ser únicos e distintos se não nos fosse dada a oportunidade de reaprender o que os nossos pais e avós já sabiam... É esta reaprendizagem que nos fornece a originalidade e a capacidade de inovar e de formar opiniões e ideais diferentes sobre o Mundo.&lt;br /&gt;E esta é a escolha mais bonita e libertadora que nos foi dada, quando nos foi impingido o nascimento... Vale a pena viver. Vale a pena procurar as perguntas. Vale a pena tentar. Vale a pena errar. Vale a pena viver a fugacidade de cada momento para poder viver outro a seguir.&lt;br /&gt;Vale a pena ficar deitada no escuro à deriva... Porque assim sei que ainda me resta o mistério... a descoberta, o momento a viver. Haverá algo mais poético que isso?&lt;br /&gt;A oportunidade...&lt;br /&gt;Esta é a minha. E eu vou vivê-la. E vou errar se assim for necessário. E vou aprender com isso. E vou voltar a errar. E vou voltar a aprender com isso... E algures no caminho hei-de encontrar a paz e o culminar de todos os momentos.&lt;br /&gt;Se isto não faz sentido, não sei o que mais possa fazer...&lt;br /&gt;Estas são as minhas palavras sem sentido. Palavras que se soltaram dos dedos e que formaram um texto confuso e emaralhado.&lt;br /&gt;Não importa... Continuam a ser as minhas palavras.&lt;br /&gt;Palavras...&lt;br /&gt;Palavras...&lt;br /&gt;Terão vocês o poder de ecoar? De ecoar na eternidade? De ecoar dentro do coração de alguém...? Estão a ecoar no meu! Conseguem ouvi-las...?&lt;br /&gt;Chiuuu...&lt;br /&gt;Silêncio... É lá que elas se escondem... Prontas para sair quando as soubermos escutar...&lt;br /&gt;Chiu...&lt;br /&gt;Silêncio.&lt;br /&gt;Palavras.&lt;br /&gt;Vida...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9826172-110884281857091670?l=-viver-comolhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9826172/posts/default/110884281857091670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9826172/posts/default/110884281857091670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://-viver-comolhos.blogspot.com/2005/02/palavras.html' title='Palavras'/><author><name>A Guardadora de Gansos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9826172.post-110835269784140446</id><published>2005-02-14T03:21:00.000Z</published><updated>2005-02-14T03:44:57.846Z</updated><title type='text'>Adormece</title><content type='html'>Adormece...&lt;br /&gt;Deixa-te cair nesse leve estado em que pões a cabeça lentamente sobre a almofada, em que repousas de forma tímida sobre a esfera do mundo à tua volta, dormes agarrada para um lado, com a boca sobre a almofada...como se a beijasses de volta ao conforto que ela traz, pela sua textura macia que tu adoras, aos teus cabelos como uma pintura exposta sobre a cama.&lt;br /&gt;Fecha os olhos agora e pensa em qualquer coisa, pensa e não penses muito, deixa-te a imaginação levar-te onde for que ela te leve, não racionalizes demasiado, não penses sobre o pensar, não queiras perder o sono a pensar na vida, quando a vida é feita sem pensar, sem lógica, é reacção,acção e direcção, é um estímulo que nos leva...é o impulso eléctrico da alma carregada do poder fulminante do amor.&lt;br /&gt;Antes, faz com que a tua maneira de dormir seja o teu estado mais puro, sem que ninguém ou nada te possa incomodar, como uma fotografia sem acção, só a sensação leve de alguém a voar em sonhos...&lt;br /&gt;Adormece por favor para que eu possa rápido ir sonhar contigo também, para que nada se interponha entre nós, para eu poder encostar a minha cabeça à almofada e pensar em ti, como nunca pensei antes, como só tu me podias levar a pensar, estende a mão enquanto dormes sem teres noção, estende o braço bem no ar, finge que me tocas nem que seja só para eu sentir que estás aí...e eu vou de olhos fechados abrir os meus braços, vou sorrir sem saber que estou a sorrir, sorrir-te e agradecer que tenhas vindo ter comigo hoje, ontem ou amanhã...&lt;br /&gt;Vou tocar a ponta do teu dedo com a ponta do meu, como se bastasse só isso e mais nada para te poder tocar em todos os lados, como se aquela extensão fosse o teu todo e o meu dedo, fosse eu na totalidade, só tu e eu, mais nada...puro vazio de ausência corporal...estados superiores e sentimentos puros...consegues sentir?&lt;br /&gt;Deito-me e espero, como se a cama fosse um casaco de forças que me prende e não me deixa adormecer, dizes-me do teu lado que não consegues dormir, imagino a confusão, a luta dos dois lados para adormecer...os dois a querer correr para a estrada à chuva, sem conseguir sair deste estado de confusão, de aperto, a roupa da cama enrola-se nos pés, parece demais, parece o casaco de forças, o corpo ressente-se em espasmos e reclama por outra coisa, reclama por alguém...pede-te, ordena-me o teu nome em vozes diabólicas, eu entro em febre e ardo, queimo o teu nome na testa, grito e peço que venhas rápido, mais rápido, ainda mais que isso, do nada...aparece-me agora...! A almofada é uma máscara que eu de forma paranóica julgo, me vai engolir a cabeça, sugar os meus sonhos, prender a minha imaginação, tirar-me todo o prazer de te querer, vai tornar-me racional, robótico e sem sentimentos, vou ser uma máquina que se consome a si mesma em dor? Não vou, não quero, não será assim! Sou eu! Sou eu! Grito e esperneio contra o mundo, contra a escuridão...tento em vão alcançar a luz que agora está longe, é tudo o que me resta, mas não está lá, os cobertores enrolam-se em mim como se me enterrasse em areia movediça, prendem-me e eu já não tenho força para gritar, para chorar, para ser infeliz...só grito pelo teu nome, espero que ouças, que venhas...!&lt;br /&gt;Tiro a almofada debaixo da cabeça e atiro contra os fantasmas, morram, desapareçam,não sejam mais do que isso mesmo, fantasmas, alucinações, extinção, supressão e aniquilação! Fantasmas e paranóias, sejam mais do que aquilo que vos peço, sejam zero e pó, vento vos leve e me traga por favor a calma...a almofada atinge-vos e tudo cai por terra...silêncio dos ponteiros do relógio, marca-se o tempo e eu não adormeci.&lt;br /&gt;Pouso a cabeça na cama, lembro-me do que disseste e sorrio, estás aí...eu sei que estás. Dorme comigo hoje, ainda que distantes, camas diferentes e escuridões diferentes...mas dorme comigo hoje.&lt;br /&gt;Tenho tanto medo de não conseguir adormecer...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Post Publicado Devido ao Grau de Insónia ser particularmente Grande!*&lt;br /&gt;*Escrito ao som de Radiohead - Street Spirit (Fade Out)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9826172-110835269784140446?l=-viver-comolhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9826172/posts/default/110835269784140446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9826172/posts/default/110835269784140446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://-viver-comolhos.blogspot.com/2005/02/adormece.html' title='Adormece'/><author><name>Gonçalo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9826172.post-110807623033307376</id><published>2005-02-10T22:32:00.000Z</published><updated>2005-02-10T22:57:10.333Z</updated><title type='text'>Chegadas e Partidas</title><content type='html'>Fecho os olhos e deixo as coisas andarem, por si mesmas, sou um corpo inerte que se movimenta dentro de um gigante, que come e digere metros em segundos, sou uma alma num comboio de almas perdidas, sou perdição sem destino, rumo ao cais na névoa, a estação final. Imagino mil e uma maneiras de chegar, de abrir os braços quando descer o último degrau, na forma como tu poderás estar a sorrir...&lt;br /&gt;Chego-me à frente no meu lugar, só para por instantes poder imaginar que estou mais perto de ti do que estava há 1 segundo atrás, estou efectivamente mílimetros mais perto de te abraçar, recuo e sinto-me distante, encosto-me e penso em ti à espera. Quero chegar e poder abraçar-te como se o mundo acabasse amanhã, quero terminar a minha viagem aqui e em mais nenhum lado, quero procurar-te entre as centenas de pessoas que vão sair aqui, quero correr para ti e ver-te a correr para mim, como se tivessem passado 23 anos de ausência um do outro, como se todas as viagens que já tivessemos feito, valessem a pena só por este momento...Desejo só que nesse momento, ainda que não te fosse possível, me digas que tiveste saudades minhas, mesmo que eu nunca tivesse aparecido antes, que eu fiz falta naquele e outro momento...e vou querer dizer-te que nunca mais chegava a altura de te poder abraçar, de te tocar, de te sentir mais perto.&lt;br /&gt;Mas o caminho é longo e é preciso saber aproveitar todos os bocados da viagem, porque tu vens no teu comboio em direcção ao meu, podemos passar um ao lado do outro e nunca mais nos vermos, mas ambos caminhamos para o lugar certo, aquela busca...&lt;br /&gt;Se eu chegar antes, largo as malas, largo a vida, largo tudo o que vier comigo, empurro gente e tudo o que me aparecer, corro sem parar para te ir esperar, para seres tu a descer e eu a apanhar-te naquele momento, sem que o nevoeiro me leve para um sítio estranho e lá estarei, nos teus sonhos ou na tua realidade, só à espera de ver o teu sorriso aparecer pelo meio da multidão, para te ouvir dizer olá e sentir a necessidade de dizer um olá enorme, um olá prolongado nos teus lábios, um olá que dirá o quanto precisava daquele momento e dos teus braços a amparar-me.&lt;br /&gt;O sol brilha na janela e eu quase que te consigo ver, assim ainda ao longe, mas já sonho com a tua ternura, já sonho...nunca parei de sonhar...nunca quis parar, só quis mais alguém que sonhasse, em vez de pinturas negras da vida e pesadelos, sonha comigo...se vivermos num sonho, podemos deixar de sonhar um com o outro e passar a ter um ao outro, na estação, na praia, ao sol ou à chuva, no nevoeiro ou na confusão de uma noite sem vento a soprar.&lt;br /&gt;Quem chegará primeiro à loucura de perder a cabeça, esperar o outro ao seu comboio e por mais nada, senão mesmo pelo amor, dirá: "ainda bem que vieste...".&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9826172-110807623033307376?l=-viver-comolhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9826172/posts/default/110807623033307376'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9826172/posts/default/110807623033307376'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://-viver-comolhos.blogspot.com/2005/02/chegadas-e-partidas.html' title='Chegadas e Partidas'/><author><name>Gonçalo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9826172.post-110782215171341877</id><published>2005-02-08T01:20:00.000Z</published><updated>2005-02-08T00:22:31.713Z</updated><title type='text'>Escrevia...amo-te</title><content type='html'>&lt;em&gt;Mais uma vez, com as palavras como armas e os sentimentos enquanto força, Gonçalo e Chilita num post a meias. Enjoy&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevia qualquer coisa que fizesse sentido ao coração e entregava aos teus olhos, deixava-me ficar por um bocado a pensar o que tu estarias a sentir naquele momento, encostavas os olhos ao coração e lias....deixavas o silêncio transbordar desde o papel até aos teus lábios quietos...eu desesperava por uma palavra tua, dizias que não sabias o que dizer, como se as palavras te roubassem a fala, se fosse possível que todas elas te tirassem as palavras feias da boca, as que não gosto de ouvir, as mais complicadas de receber e encaixar num amor que foi só teu, todo teu...pensado em ti, que se iluminava com o teu sorriso e adormecia com o mesmo sorriso no pensamento.&lt;br /&gt;Também tinhas o dom de te exceder quando querias, sabias mesmo perpetuar as situações à tua maneira, com as coisas que fazias e deixavas marcadas em mim, talvez seja isso que me faz estar constantemente a pensar em ti, as tuas marcas em mim, a forma como naturalmente e de uma forma que só as coisas mais puras podem fazer, ficaste debaixo da minha pele, não foste algo que se agarrou...passaste a barreira do que se agarra e se tatua em nós. Eras tudo aquilo que estava por baixo do que se vê, a força, a vontade de andar para a frente, o calor e a necessidade quase instintiva de amar, ser-se amado e saber viver com um sorriso durante os dias.&lt;br /&gt;Mas um dia o mundo desaba em cima de nós, tão rápido como tudo começa de um momento para o outro, tão rápido e intenso quanto um primeiro beijo que fica eternamente ligado a duas pessoas, veloz e impossível de deter, o mundo vem cair em cima de nós e não pede licença, não dá espaço para fugir ao seu impacto...porque o mundo que se constrói é aquele que se destrói...ficam as imagens, os sons, os cheiros, o toque, a sensação de que se fez algo eterno, com a pressa dos momentos instantâneos, a memória guardará a eternidade do amor, os sorrisos, as vozes, os segredos e olhares que se fixaram...sem necessidade de mais nada....porque estava tudo ali.&lt;br /&gt;Estava ali… Mas… de vez em quando voava. Voava para longe e quando eu tentava perseguir o amor, não o apanhava. Como poderia perseguir o amor, se apenas ele me dava asas? Mas… quando todas as esperanças pareciam perdidas, esse amor voltava para mim e fazia-me voar outra vez. Eu embalado e inebriado, com aquele turbilhão de sons, cheiros e sorrisos, que eram memórias e uma busca constante na realidade, deixava-me ir naquelas asas e ficava cego, perdido sozinho no escuro à tua procura, para apenas encontrar o meu amor por ti que tão depressa me elevava como me desiludia… Mata-me. Não vale viver a vida sem te ter aqui comigo… Não, não vale. É como os nossos jogos em crianças… Lembraste? Lembraste da maneira como choravas cada vez que eu te agarrava enquanto brincávamos à apanhada e da maneira como clamavas: “Não vale!”… Agora sou eu quem to digo amor… Não vale. Esta vida não vale sem ti. Não vale agarrar-te cada nova vez para apenas te perder a seguir. Não vale esta confusão de sentimentos dentro de mim que grita por ti e que te anseia e repudia ao mesmo tempo. Não vale morrer assim. Quero morrer nos teus braços, com todas as nossas memórias e com todo o sufoco que me provocas. Já sei como vou morrer. Vou morrer sufocado, engolido pelo amor que sinto por ti. Vou morrer nos teus braços e tu vais sorrir como um anjo pérfido da morte, vais sugar o meu sangue e fortalecer-te com ele… Porque é isso que tu fazer amor. Tu sugas a minha vida e alimentas-te dela porque sabes que te dá forças. Sabes que aquele amor que eu estou sempre a ganhar e a perder, aquele amor que persigo intensamente, te dá forças e te fez continuar… Sabes que esse amor me foge porque é teu, logo foge sempre para onde quer que tu vás… E eu, estúpido, acabo sempre por fugir com ele. De novo para ti. Porque cada vez que eu corro, corro para longe de ti e para perto de mim, mas eu amor, só existo onde tu existes… &lt;br /&gt;Estou cansado disso. Estou cansado daquilo a que chamamos amor. Estou cansado da maneira irrefutável como sou teu. Estou cansado de tentar beijar outras mulheres, para apenas ver o teu rosto. Estou cansado de passar noites com outras mulheres, para apenas pronunciar o teu nome na manhã seguinte… Estou tão cansado amor… Apetece-me pousar a cabeça no teu colo e construir devagarinho de novo o nosso mundo… Vamos os dois de novo brincar. É fácil! Prometo-te que sim! Só não vale ires-te embora… Vamos fazer de conta que só existimos os dois na Terra, que somos Adão e Eva, Romeu e Julieta e vamos fazer de conta que nunca ninguém vai destruir o nosso amor… Que nunca nos vamos separar e que vamos ser felizes até ao fim da vida… Vamos sonhar amor! Vamos brincar como as crianças que fomos… Deixa-me deitar a cabeça no teu colo… Afaga-me o cabelo como apenas tu sabes fazer e sussurra-me ao ouvido palavras carinhosas e fantasiosas… Vamos ser felizes em sonhos…&lt;br /&gt;Amo-te.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9826172-110782215171341877?l=-viver-comolhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9826172/posts/default/110782215171341877'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9826172/posts/default/110782215171341877'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://-viver-comolhos.blogspot.com/2005/02/escreviaamo-te.html' title='Escrevia...amo-te'/><author><name>Gonçalo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9826172.post-110763358560010339</id><published>2005-02-05T19:57:00.000Z</published><updated>2005-02-05T20:01:01.853Z</updated><title type='text'>Take Me Away</title><content type='html'>How long will I keep this candid camera smile?&lt;br /&gt;My muscles hurt, I better rest for a while&lt;br /&gt;Breathing is the only thing that keeps alive&lt;br /&gt;All this oxygen, crushes me, leaves me so tight&lt;br /&gt;Let me out...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;My pain is leading, I got no control from now&lt;br /&gt;Don't try to help me, I don't want to put you down&lt;br /&gt;All my reasons will be misunderstood, &lt;br /&gt;I wish you well, in here there's nothing good&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;My heart is rotten with all the worst kind of disease&lt;br /&gt;It tries to be better but all it can do is bleed&lt;br /&gt;I'm so tired of myself&lt;br /&gt;Oh God please take me away and bring someone else&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;One of my friends believes in what she reads&lt;br /&gt;And she's always talking about the end of the century&lt;br /&gt;But listen, have you ever stopped to realise&lt;br /&gt;That if it happened there would be noone to feel alone? &lt;br /&gt;No pain at all...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I should be going, so much damage I've done&lt;br /&gt;So many tears and still alot more to come&lt;br /&gt;Excuse, don't push my wheel chair&lt;br /&gt;I don't want to go anywhere&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;My heart is rotten with all the worst kind of disease&lt;br /&gt;It tries to be better but all it can do is bleed&lt;br /&gt;I'm so tired of myself&lt;br /&gt;Oh God please take me away and bring someone else&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alone, I don't care&lt;br /&gt;And now all I remember is the smell of your hair &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Silence 4)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9826172-110763358560010339?l=-viver-comolhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9826172/posts/default/110763358560010339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9826172/posts/default/110763358560010339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://-viver-comolhos.blogspot.com/2005/02/take-me-away.html' title='Take Me Away'/><author><name>Gonçalo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9826172.post-110718877542321087</id><published>2005-01-31T16:06:00.000Z</published><updated>2005-01-31T16:26:15.423Z</updated><title type='text'>Sangue</title><content type='html'>Como se a história fosse terminar no momento exacto, decido contar a mim mesmo a última das aventuras, começo por me olhar ao espelho e penso em mim, como pude já eu sorrir ou chorar, contemplar e ignorar certas pessoas, fechar e abrir os olhos em constante delírio?&lt;br /&gt;Penso na forma mais eficaz de terminar a histórias, o conta-gotas do meu pulso ferido poderia ser uma boa maneira, o lento escorrer do sangue que se acumula num conjunto de gotas, num aglomerado de lágrimas que sou eu, que são a minha vida, o lento escorrer da vida para fora de mim, como se uma fuga à luz do dia se tratasse.&lt;br /&gt;Lembro cada nome e cada personagem ao lento bater do sangue, digo os nomes todos de trás para a frente e recordo-os com saudade, a saudade de quem já esqueceu alguns momentos, mas que traz à força inconsciente das memórias que não quer lembrar, um peso que ninguém vê, um poder que ninguém sente, um sonho que ninguém se atreve a sonhar, os pesadelos de vos lembrar a todos com a nítida noção de me apetecer fugir daqui...&lt;br /&gt;Feridas abertas no pulso que trazem de volta as feridas abertas dentro da minha cabeça, fragmentos de corações e olhares que nunca mais voltam a juntar-se, promessas e juras que nunca se cumprem, sabores e cheiros que voltam ao ambiente sem que eu peça ou queira, a força de abraços e corpos unidos, o pulso aberto, a alma aberta a si mesma, lágrimas que se choram a si mesmas com vontade de perguntar "porquê?".&lt;br /&gt;Lentamente e gota após gota sinto a força abandonar as minhas pernas, baixo-me e tento não parecer demasiado penitente quando encontrar a minha própria terminologia, passo as mãos pelos cabelos e lavo-os de sangue, sou eu todo por fora como era por dentro, sou a mistura de hemoglobina e plasma, sou o fantasma do líquido da vida, sou 180º graus menos eu e sou uma volta completa a mim mesmo, uma volta que acaba no mesmo sítio quer eu seja diferente ou seja exactamente igual, sou vermelho e acabo por ser branco de vazio, de ausência total e abertura a ser qualquer coisa menos isto...menos o nada que acaba e começa sempre no branco.&lt;br /&gt;Sou também o ruído lento e baixo da minha própria dor que se consome a si mesma e me deixa cada vez mais tonto, sou a tortura implícita e inadmíssivel do meu próprio ser que se deixa consumir em fogos que não ardem e não estalam quando me comem a carne, sou o branco, a ausência de existência, sou o consumir de branco pelo fogo...sou futuro negro e cinza que voa ao vento, sem destino ou qualquer relevância. &lt;br /&gt;Nessa mistura de barulho, os olhos fecham e abrem com o som de fundo das gotas de sangue, uma última vez tento perceber onde é que errei e onde é que fiz tudo bem, pergunto a mim mesmo se estou contente comigo mesmo, se deixei alguém feliz nesta vida, se mostrei a felicidade e se fiz alguém acreditar no mundo, acredito que sim e as lágrimas escorrem-me com saudade de te fazer feliz, de te deixar a sorrir...ao contrário eu choro, as lágrimas queimam-me as feridas e o seu sal é como o último castigo, como o último grito antes de morrer, o respirar fundo antes de mergulhar...&lt;br /&gt;Sou branco, sou hemoglobina e plasma, sou nada, sou uma mistura de tanto que se funde e perde em si mesma...finalmente caio e tombo no chão.&lt;br /&gt;Coberto de vermelho, deixo sair a vida por um pulso, o mesmo que escreveu a última aventura do meu ser, tudo tinha de terminar por aí...sou branco, mas deixo o nome escrito a vermelho, de vida e de morte....sou branco escrito a vermelho, sou futuro cinza e negro, sou alma ao vento, buraco de existência e ausência de dor...&lt;br /&gt;Sou sangue no chão...era eu.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9826172-110718877542321087?l=-viver-comolhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9826172/posts/default/110718877542321087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9826172/posts/default/110718877542321087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://-viver-comolhos.blogspot.com/2005/01/sangue.html' title='Sangue'/><author><name>Gonçalo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9826172.post-110704536959390223</id><published>2005-01-30T01:10:00.000Z</published><updated>2005-01-30T00:40:04.790Z</updated><title type='text'>És Minha</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Olho para a folha branca desejando poder descobrir dentro de mim todas as palavras que possam dizer o que sinto, o que penso, o que quero. Todos os sentimentos e emoções que não consigo organizar em pensamento, mas que conheço intrinsecamente em sensações. Pequenas reacções químicas cujo significado o meu cérebro rejeita, mas que o meu subconsciente devora... Estas reacções químicas escondem-se dentro de mim, preenchendo-me e sussurrando-me ao ouvido as minhas verdades que eu não quero ouvir, toda a verdade que eu desejo esquecer, todas as razões que me recuso a ver, todo o Mundo que me come e devora, mastigando-me e saboreando-me lentamente, testando assim os meus limites... As minhas forças, os pontos fracos, os meus altos, os meus baixos, eu...&lt;br /&gt;Quero agarrar neste Mundo e devorá-lo. Quero espetar-lhe as unhas pela carne e arrancar-lhe a traqueia, quero sentar-me em cima dele como uma amante e partir-lhe as omoplatas, quero esventrar este Mundo e regalar-me com as suas vísceras, quero desmembrar este Mundo e espalhar os seus membros pelo Mundo real, quero gritar-lhe aos ouvidos até sentir o toque fino e agudo da surdez, clamando a minha independência, implorando-lhe que me liberte, implorando-lhe que nunca me abandone, implorando-lhe mais paciência, mais capacidade, mais talento, mais inteligência, mais amor, mais tudo e nada... Implorando-lhe que seja eu, implorando-lhe que me deixe ser aquilo que sou... Implorando a berrando e lutando comigo própria por mim. Pego na faca e penso o quanto fácil não seria acabar com aquele pulsar de vida rapidamente e no prazer que me daria o sangue a escorrer-me pela carne... O orgasmo que provocaria a dor duma facada.. Sangue, morte... Dor... Apetece-me morder a língua do meu Mundo, durante um beijo desesperado, para sentir o sabor férreo do sangue na minha boca, para sugar a essência vital daquela outra eu e para a fundir a mim. Apetece-me agarrar naquela outra que sou eu, levá-la para a cama e fornicá-la violentamente, para mostrar que sou eu que a possuo e não ela que me possui a mim.&lt;br /&gt;"Ama-me!" quero gritar-lhe aos ouvidos... Apetece-me bater-lhe, apetece-me descarregar em cima dela toda a raiva acumulada durante anos, todo o embaraço provocado pela vergonha, todas as vezes em que ela me deixou mal, todas as vezes em que ela me abandonou, todas as vezes em que ela esteve comigo!&lt;br /&gt;Todo o turbilhão de emoções que é tudo e não é nada, numa sucessiva combinações de sentimentos emaranhados e confusos, claros e precisos, tudo e nada, nada e tudo.. Ama-me Foda-se! Tu que sabes tudo, tu a quem nada posso esconder... Caralho amo-te e odeio-te tão intensamente... Não tens o direito de me preencher assim.&lt;br /&gt;No fim retiro a folha do papel e olho fixamente em frente, enquanto roo o lápiz sensualmente... "Não podemos fugir daquilo que somos". E sinto o sabor do sangue na boca... Acabei de trincar a língua.&lt;br /&gt;Triunfalmente sugo a minha essência vital e sussurro... "Agora és minha."&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9826172-110704536959390223?l=-viver-comolhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9826172/posts/default/110704536959390223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9826172/posts/default/110704536959390223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://-viver-comolhos.blogspot.com/2005/01/s-minha.html' title='És Minha'/><author><name>A Guardadora de Gansos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9826172.post-110678357372382233</id><published>2005-01-26T22:36:00.001Z</published><updated>2005-01-26T23:52:53.723Z</updated><title type='text'>Unknown Colour</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O Mundo pára naquele instante fugaz entre a cor do teu olhar indefinido e tempo que os teus lábios demoram a roubar um beijo aos meus. Durante esse instante vejo o brilho dos teus olhos, sinto o bater do teu coração e debato-me com o desespero dos teus lábios. Mordes-me a língua e riste. Eu também me rio e começo a fugir aos teus beijos. Mordes-me os lábios, o pescoço e agarras-me desesperado pelo beijo que eu a rir te nego. Apanhas-me os lábios, mas eu com os dentes cerrados impeço-te de me beijares. Olho arrebatadoramente para ti e sorrio. No meu sorriso há uma promessa e nos meus olhos uma provocação. O teu sorriso abre-se com o meu e os teus olhos fixam os meus... Leio ternura e cumplicidade no teu olhar... Perco-me em ti... Descubro que não sei a cor dos teus olhos... Dourados? Verdes? Azuis? Claros... Ainda estou a tentar decifrar o padrão dos teus olhos... a cor que os define quando me voltas a beijar. Volto a olhar-te e fico com a certeza de que são dourados. Beijas-me outra vez e quando olho outra vez já são azuis... Beijo-te e quando volto a olhar vejo verde. De que cor são, afinal? Qual é a cor dos teus olhos, que eu desconheço? Porque muda a cada beijo? Extasiada persigo a cor, desesperada por mergulhar dentro dela e por me afogar na paz apimentada que me ofereces... E extasiada continuo a perseguir a cor dos teus olhos que não consigo definir arrebatada pelo mistério que me ofereces a cada novo beijo...&lt;br /&gt;E, assim, fico.... Fico contigo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9826172-110678357372382233?l=-viver-comolhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9826172/posts/default/110678357372382233'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9826172/posts/default/110678357372382233'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://-viver-comolhos.blogspot.com/2005/01/unknown-colour_26.html' title='Unknown Colour'/><author><name>A Guardadora de Gansos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9826172.post-110669140274834062</id><published>2005-01-25T22:02:00.000Z</published><updated>2005-01-25T22:16:42.746Z</updated><title type='text'>O teu quarto</title><content type='html'>Acaba de te vestir, estás por aí a demorar tanto tempo e nunca mais conseguimos sair, nunca mais páras de dançar à minha volta e eu não sei quanto mais tempo resisto. Olho para todas as coisas à tua volta, os relógios, os brincos, a tua roupa interior...tudo espalhado por todo o lado no teu quarto e como eu adoro aquela desarrumação, aquela falta de sentido prático e vontade de criar o caos, como é giro o teu quarto e todo ele é um reflexo de ti, memórias guardadas em cada bocadinho, iluminado quanto baste mas ainda assim misterioso. A primeira vez que lá entrei foi como se estivesse a penetrar um templo sagrado, não sei se te lembras da primeira coisa que fiz, deitei-me no chão e fiquei ali a olhar, simplesmente parei e lembro-me que te sentaste em cima de mim a perguntar-me o que estava a fazer...nem eu percebi na altura o que estava a fazer, era algo diferente dos outros quartos, era teu e como eu adorava poder descobrir as tuas coisas, fotografar na memória e levar bocadinhos comigo...lentamente e provavelmente, sem que tu tivesses noção, dei uma volta ao quarto com os meus olhos...&lt;br /&gt;Ali estavas tu em todos os lados, perdida em coisas que eu nem sabia o que significavam...lembro-me de estar agarrado a ti e a dançar, como se eu dançasse assim tanto ou alguma coisa que valesse a pena chamá-la de dança, cantava uma música que dizia algo como "...here today..." e só aquela voz e aquela letra naquele momento faziam sentido.&lt;br /&gt;Sei como se tivesse sido hoje, qual era a roupa que tinhas, a maneira como olhaste para mim e a forma como cá dentro, me parti em mil bocados e fui colado de novo, instântaneo como um mili-segundo que vai e vem...cá dentro pensava...e depois decidi não pensar mais, deixei-me levar e assim fui...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por favor...veste-te depressa, espero por ti lá fora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9826172-110669140274834062?l=-viver-comolhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9826172/posts/default/110669140274834062'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9826172/posts/default/110669140274834062'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://-viver-comolhos.blogspot.com/2005/01/o-teu-quarto.html' title='O teu quarto'/><author><name>Gonçalo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9826172.post-110644016529493130</id><published>2005-01-23T01:26:00.000Z</published><updated>2005-01-23T00:29:25.293Z</updated><title type='text'>Nas Trevas/Sem Luz</title><content type='html'>&lt;em&gt;Como há algum tempo não se via, Chilita e Gonçalo, juntos de novo num texto, algo negro... Esperamos que gostem!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Detesto a tua forma de passar ao lado da vida, a maneira como ela te parece tão improvável em termos de felicidade, a maneira como pintas tudo de preto, cobrindo mesmo o próprio Sol com um manto...de forma a que ele não brilhe sobre ninguém, nem sobre quem o quer mais. Caminhas num passeio em que a continuar dessa forma, os buracos vão continuar a aparecer, a ser cada vez maiores e as desgraças cada vez menos, porque cada vez mais vais parar, encostar a uma parede e ficar por ali à espera que o tempo passe lentamente, sem pensar se está muito frio ou quente aquele dia em particular, os outros dias todos que podem vir a acontecer. Não tens medo do frio à noite nem do calor durante o dia, o teu coração é uma máquina auto-suficiente que queima o suficiente para a tua subsistência enquanto Ser, não vive nem sente, carbura sentimentos como um pequeno fósforo se consome rapidamente com o lento desaparecer do oxigénio, ele consome, torce e mutila, é uma máquina de guerra perfeita.&lt;br /&gt;É nessa estrada em que caminham os perdidos, os atirados ao chão pela vida que não se querem levantar, os que baixaram os braços e preferem levar todos os dias com o lento correr das horas, não pensar e não sofrer, deixar o Sol nascer, contemplar o seu auge e esperar que ele desça, sem sequer por uma vez arriscar uma saída à chuva, para lavar a alma de tudo o que a conspurca. É nessa estrada onde já ninguém consegue levantar os olhos e olhar os outros de frente que tu caminhas, aos tropeções nas próprias pedras que por ali estão...dás-lhes pontapés, como as crianças fazem, eventualmente magoas um pé e choras...como uma criança que além de estar magoada está agora a perceber que não é com pontapés que se vai sentir melhor, não é com a raiva que vai construir...só destruir.&lt;br /&gt;E destruindo avanças o teu caminho como uma máquina de destruição maciça. Olho para ti e vejo uma personagem de cinema; dura, fria, impiedosa, implacável, que nada vê e nada sente. Segues o teu caminho dormente, ausente e indiferente, deixando um rasto de buraco negro atrás de ti, que teima em sugar a luz do Sol… um rasto de podridão que teima em sugar o apogeu do Sol, para afogar aquela luz ofuscante nas tuas trevas. Como uma profetisa da desgraça avanças o teu caminho cheio de pedras, solidão e amargura… Encostas-te à vida e segues a manada, insultando quem te fez nascer com a tua recusa em tomares parte neste mundo… encostas-te à vida e tornas-te num fantasma ensombrado que a persegue e vaia, quando o que mais desejas é fundires-te com ela… No entanto, continuas no teu estado de recusa dormente, recusando-te a aceitares a vida que é parte de ti, enquanto te consomes em trevas e solidão… dentro do teu buraco negro. Não olhas em frente, porque tens medo de ver nos olhos dos outros “zombies” e robots como tu, o reflexo de quem és. Não olhas em frente porque temes o derradeiro momento em que irás desejar agarrar a vida… Nesse momento vais esticar a mão para lhe implorares tréguas e paz na tua guerra pessoal e aí vais descobrir que a luz que sempre te perseguiu, apesar de tu a desdenhares, simplesmente partiu e não existe mais… Com a sua partida, partes tu também, embalada nos braços da morte, chorando como uma menina nos braços do amante que nunca desejou verdadeiramente e que só se apercebeu disso quando se viu condenada a ficar com ele eternamente… Como uma amante amargurada vais abrir os olhos e descobrir que foste sugada para dentro de ti mesma e que não encontras nada mais excepto trevas… e morte.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9826172-110644016529493130?l=-viver-comolhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9826172/posts/default/110644016529493130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9826172/posts/default/110644016529493130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://-viver-comolhos.blogspot.com/2005/01/nas-trevassem-luz.html' title='Nas Trevas/Sem Luz'/><author><name>Gonçalo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9826172.post-110642574428334104</id><published>2005-01-22T20:14:00.000Z</published><updated>2005-01-22T20:29:04.283Z</updated><title type='text'>Vapores</title><content type='html'>Pediste-me um vapor de alegria, dizendo que do teu lado não havia névoa ou fumo de alegria onde te pudesses perder, naquela bruma onde todos se guiam às cegas, ainda que saibam bem para onde vão...&lt;br /&gt;Tentei e podia tentar escrever mil textos que nada diriam senão o mesmo que todos dizem, as mesmas necessidades e os mesmos desejos, os sonhos que se podem formular enquanto se dorme, os sonhos que se dão com os passos do dia-a-dia quando vamos sozinhos na rua e pensamos em alguém, as tristezas que podem estar sempre inerentes ao facto de descobrir o amor e o ódio, a força de uma paixão que pode de forma rápida inverter, tornar os sonhos em pesadelos, os sorrisos em semblantes de loucura, da sensação de perda que é irreparável...do que fica e do que se vai, de lidar com o que há e saber dar valor a tudo isso, dos momentos que passam e gostam de voltar à nossa cabeça quando menos necessitamos deles, dos olhares perdidos um no outro que sabem falar sozinhos quando a boca, essa não pode falar porque não há nada a dizer...&lt;br /&gt;Podia falar-te de como consegue ser triste mas isso tu já sabes, aliás todos sabemos como é estar lá em baixo e não ter vontade nenhuma de fazer seja o que for, acreditar e pensar que um dia vem alguma coisa, há-de vir mais do que tristeza e memórias que nos matam, que nos sufocam como os abraços e os beijos sufocavam de prazer, podia dizer que não há nada como dois corpos um contra o outro, não há nada como adormecer nos braços de alguém de quem se gosta, de fechar os olhos e esquecer todo o mundo à volta, não há nada...pode não haver nada, mas por certo algum dia, os tesouros descobrem-se, sem mapas a indicar o caminho e sem vontade de enriquecer só por proveito próprio...mas para guardar o tesouro que se tem.&lt;br /&gt;Podia ter dito tanta coisa, feito os maiores castelos nas nuvens que alguma vez terias visto, daqueles que existem só em sonhos, com histórias perfeitas e finais felizes...mas não fiz isso, só me limitei a constatar o que tu fazes, o que em si é simples e eu tentei manter isso simples.&lt;br /&gt;Simplifiquei...só na tentativa de te fazer sorrir.&lt;br /&gt;Consegui?&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9826172-110642574428334104?l=-viver-comolhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9826172/posts/default/110642574428334104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9826172/posts/default/110642574428334104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://-viver-comolhos.blogspot.com/2005/01/vapores.html' title='Vapores'/><author><name>Gonçalo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9826172.post-110608351459850467</id><published>2005-01-18T20:19:00.000Z</published><updated>2005-01-18T21:25:14.596Z</updated><title type='text'>Sombra</title><content type='html'>Quem és tu? Eu não sei bem, digamos que ainda és só uma imagem formada dentro da minha cabeça, criada a partir de sonhos que vieram ao longo dos anos, das noites passadas a pedir só mais alguém, mas desta vez só mais alguém como essa sombra, mas nunca veio ninguém... Essa imagem que eu fui desenhando parece que nunca mais está pronta, parece que nunca mais vens bater-me à porta com um sorriso a pedir-me para passear, a dizer que hoje é dia de sorrir e nisto estendes a tua mão para a minha, eu estendo a minha para a tua e vamos por aí, sem destino mas com o rumo da felicidade.&lt;br /&gt;Ainda que sendo uma sombra, quando te sigo à noite pela praia a ouvir o som do mar, não te vendo, vejo os teus passos na areia, convictos e firmes, penso para mim mesmo que sou capaz de te seguir até ao fim do mundo, se for necessário seguir os teus passos, para te procurar e nesse momento, agarrar-te e nunca mais largar. Mas és só uma sombra que eu posso imaginar que terá uma forma mais real, um sorriso para onde eu possa olhar quando me sentir triste e perder toda a tristeza, uma sombra que saberá sempre o que dizer quando eu tiver que ouvir aquilo, só mesmo aquilo e mais nada. Uma sombra para eu guardar no meu lugar ao sol, onde nem a chuva ou as tempestades se atreveriam a entrar, tal seria o brilho do sol e a sua luz, sobre a tua figura quieta, parada a olhar o horizonte e nesse silêncio, saberias sorrir à vida.&lt;br /&gt;Não venhas depressa nem devagar, vem aos teus passos, vem ao teu ritmo e vem como o coração te mandar, mas quando aqui passares à frente, sorri e não duvides nesse momento, que atrás de ti mais dois pés se juntarão, seja lá para onde for que nós vamos...com rumo a um horizonte de felicidade sem pensar como se vai lá chegar.&lt;br /&gt;Mas vem...&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9826172-110608351459850467?l=-viver-comolhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9826172/posts/default/110608351459850467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9826172/posts/default/110608351459850467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://-viver-comolhos.blogspot.com/2005/01/sombra.html' title='Sombra'/><author><name>Gonçalo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9826172.post-110583978898404594</id><published>2005-01-16T01:23:00.000Z</published><updated>2005-01-16T01:43:08.983Z</updated><title type='text'>Um pequeno homem</title><content type='html'>Quando a planície se recortava atrás de si, com aquele sol a nascer lá ao fundo, os dias pareciam começar com um sentido diferente, quando caminhava à sua procura e todos os dias encontrava nada. Partiu numa busca diferente, queria ser feliz e poder um dia olhar para trás dizendo que tinha sido uma busca incessante como quem procura o sentido da vida, tinha-a procurado em todos os cantos do mundo, tinha visto mil e uma coisas...mas nada lhe fazia sentido. Como alguém tinha dito um dia, "saberás tu o que é amar alguém, mais do que te amas a ti mesmo?", não sabia, não imaginava, gostava apenas de saber e julgar que alguém um dia, lhe poderia dizer isso como quem diz um simples olá, que alguém sentisse esse aperto no coração de ter a incrível necessidade de mandar tudo cá para fora, encher o mundo de coisas doces, colorir as pinturas mais tristes, inverter o significado de tristeza, fazer alguém feliz, fazer alguém sentir-se importante...e ser assim sentido também. Procurar refúgio no abraço de alguém, poder procurar esse refúgio sem receio de um dia o perder como se perde a chuva quando o sol bate nos olhos, os campos secam e os telhados pingam...como o amor pinga de um coração ferido, expulsa sangue e chora as lágrimas que só ali pode chorar. Esperava quase impacientemente por um anjo que nunca mais vinha, porque o céu insistia em ser negro quando tocava a esperar que caíssem anjos, mas a busca não iria parar, a necessidade de ser feliz e de fazer alguém feliz não podia depender de tristezas que nos amarram, a procura tinha de ser até ao dia em que morresse e suspirasse pela última vez, sozinho ou acompanhado...teria de saber dizer nessa altura que tinha sido feliz, nem que fosse naqueles pequenos momentos já quase apagados da sua memória. Teria de ser mais forte que a própria vida, lutar contra obstáculos que não via, cair e saber levantar-se de cada vez que a vida o mandasse ao chão, ao mesmo tempo que gritava para si mesmo que não era agora que ia desistir, que não havia força maior que a sua determinação, que podiam dizer o que quisessem, mas as mágoas só nos tornam mais fortes e não precisamos de nos esconder ou ter medo do mundo que está aí fora para nos magoar, teríamos era cada vez mais de lutar com mais força, passar para lá dos limites do aceitável em termos de loucura, saber amar, suspirar por um suspiro, morrer a cada beijo que se dá, deixar um pouco de alma em cada mistura de almas que se faz...e talvez levar para a eternidade o sabor e o cheiro de cada amor que se tem.&lt;br /&gt;Ao som dos pássaros que viviam felizes na planície, apeteceu ao pequeno homem fechar os olhos e chorar durante um bom bocado, pedir à vida mais sorte e talvez alguém para tomar conta dele, mas qual era o sentido de pedir quando estava completamente só naquele turbilhão? Se aquela maré arrastava dores e paixões que arrebatavam toda a sua maneira de ser, se os sinais lhe diziam para ser outro, para não pensar como quem acredita em finais felizes, se era pedir muito ter alguém com quem partilhar a vida?&lt;br /&gt;A resposta é que nunca veio, mas o pequeno homem, caminhou e eventualmente um dia caiu morto de tanto lutar...só nunca se soube se da última vez que olhou o mundo e avaliou a vida, conseguiu sorrir à morte dizendo que tinha sido alguém realmente feliz...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9826172-110583978898404594?l=-viver-comolhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9826172/posts/default/110583978898404594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9826172/posts/default/110583978898404594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://-viver-comolhos.blogspot.com/2005/01/um-pequeno-homem.html' title='Um pequeno homem'/><author><name>Gonçalo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9826172.post-110515087486846826</id><published>2005-01-08T02:00:00.000Z</published><updated>2005-01-08T02:21:14.866Z</updated><title type='text'>Trovão</title><content type='html'>Um trovão que soa ao longe, na distância que se ergue, onde eu não vejo a luz e só ouço o murmurar já longínquo de uma voz tenebrosa. Calado tento pensar numa forma nova de abrir os olhos, que por agora estão cosidos à força de não conseguir encarar os dias com os olhos de frente, com coragem...como uma companhia de cavalaria a galopar ruidosamente colina abaixo, atacando e carregando. Dedico o corpo à explosão do trovão, ao estalar das fendas mais profundas da terra, que elas engulam sem pena ou qualquer tipo de clemência...o meu corpo que quer voar, que quis voar e foi obrigado a viver no chão, longe das nuvens. Grito e volto a gritar pelo castigo que me espera, estou farto de levar empurrões e de cair constantemente, levem-me de uma vez para o purgatório, onde a alma irá arder eternamente sem qualquer tipo de misericórdia. Nesse sítio onde posso chorar e as lágrimas de fogo a cair, queimarão de forma impiedosa o meu corpo já cansado de ser inútil, de ser a estrutura que suporta a alma escura...&lt;br /&gt;No campo aberto onde a chuva cai incessantemente, que vai molhando o meu corpo até aos ossos, eu abro os braços ao mundo e fico em silêncio à espera da resposta ruídosa,sou uma vez mais a pergunta que não tem resposta... De pés descalços contra a relva, corro uma última vez pelo espaço aberto, de braços abertos e olhos fechados a sentir o vento bater-me na cara, viver a vida e experienciá-la sem limites até ao seu máximo, amar sem conhecer limites e correr tal e qual, de braços abertos e se for necessário de olhos fechados, para a felicidade que aguarda nos passos seguintes.&lt;br /&gt;Por fim sou parte da paisagem, sou apenas eu e nada me destaca quando eu páro e o vento não sopra mais na minha cara.&lt;br /&gt;Abro os olhos e peço perdão uma vez, por todos os erros que cometi na vida...&lt;br /&gt;Abro os braços e espero a explosão.&lt;br /&gt;...barulho, vem aí e eu talvez tenha medo de partir, cravo as unhas na pele, choro, sal...água...sem destino...a descer, a cair, a molhar-me a boca...&lt;br /&gt;O céu ilumina-se, rasga-se em luz e num milésimo de segundo...quase juro que consigo ver o lento andar de um relâmpago para mim, como uma mão divina que me puxa e me quer levar. Baixo a cabeça...aquilo era eu. Sou partícula ou pó, sou isto e aquilo, sou uma alma que só queria voar e sonhar.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9826172-110515087486846826?l=-viver-comolhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9826172/posts/default/110515087486846826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9826172/posts/default/110515087486846826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://-viver-comolhos.blogspot.com/2005/01/trovo.html' title='Trovão'/><author><name>Gonçalo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9826172.post-110505225021752193</id><published>2005-01-06T21:58:00.000Z</published><updated>2005-01-11T00:20:55.256Z</updated><title type='text'>Momento</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Num momento tudo mudou. Sim... Um momento. Tu para mim és um conjunto de momentos aos quais eu me prendi e dos quais a seguir me limitei a fugir... A fugir para longe, como sempre. A partir na escuridão sem olhar para trás. Mas ainda saboreio nos meus lábios o momento em que demos aquele primeiro beijo empolgado e com um toque de desespero... Nesse momento matás-te-me e fizeste-me viver outra vez... Diferente. Soube enquanto me abraçavas e me despedia de ti que algo tinha mudado e que tu tinhas apenas sido o início da verdadeira grande mudança. Soube também que eras apenas especial para mim ali e naquele momento e que não o irias continuar a ser no meu futuro. Não... Tu limitaste-te a chegar como um anjo resgatador, tirando-me dum poço fundo e escuro, e fazendo-me renascer com um beijo, para desapareceres da minha vida e do meu coração a seguir. Nunca fomos feitos para sermos juntos ou para nos pertencermos um ao outro... E enquanto desaparecias do meu coração eu apenas via o futuro à frente e não eras tu quem lá estava. Tu apenas, com o teu resgate, me deste uma visão embaciada desse futuro e me fizeste acreditar outra vez em mim e desacreditar nos meus erros. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Quando no teu silêncio ouvi a minha verdade e quando na tua verdade ouvi o meu silêncio, soube sem mágoa nem dor, aquilo que o coração já tinha sentido, que o teu papel na história da minha vida estava terminado e que te deixava diferente e visionária.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;O que tivemos acabou e trouxe consigo o receio pela dor... O receio pelo verdadeiro sentimento. Pelo inexorável, empolgante, desejável e invitável sentimento. Veio também o desejo que se retarde... O desejo de não sofrer, o desejo de não sentir e o inevitável verdadeiro desejo de ser... De sentir. De deixar acontecer. De se limitar a ser. O desejo do sentimento puro que aterroriza o mais corajoso dos corações e preenche o vazio como uma chama sagrada e purificadora que tudo consome e inflama, para depois renascer das cinzas como uma fénix e incendiar como um fogo eterno que tudo abrange e que nunca mais se olvidará.... para sempre. Mais tarde ou mais cedo o inevitável acontece... A verdade ou o inevitável acontece não como um momento, mesmo que o seja, mas como uma eternidade dentro do presente e foi no momento em que te beijei que me limitei a saber que a verdade era simplesmente muito muito muito mais do que aquele presente... com sabor a momento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9826172-110505225021752193?l=-viver-comolhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9826172/posts/default/110505225021752193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9826172/posts/default/110505225021752193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://-viver-comolhos.blogspot.com/2005/01/momento.html' title='Momento'/><author><name>A Guardadora de Gansos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9826172.post-110469012053310070</id><published>2005-01-02T18:05:00.000Z</published><updated>2005-01-02T18:22:00.533Z</updated><title type='text'>Tanto Tempo</title><content type='html'>O tempo eventualmente há-de cessar, todas as coisas viradas ao contrário no seu sentido lógico e nós aqui, os mares violentamente a subir os rios, enchendo os leitos e percorrendo o caminho de volta à infância...Tal como tu e eu, cada um do seu lado da estrada, aquela que às vezes está tão vazia e desprovida barulho, quando de repente se enche e eu tento ver-te do outro lado, com aquele teu sorriso simples a acenar-me com uma mão e na outra um gelado...qualquer um. Caminhamos lado a lado para um sítio qualquer e tu vais gritando que me adoras, eu vou sorrindo deste lado e a certa altura, perco-te no meio da multidão que te envolve, quase que só vejo o teu braço a dizer-me adeus e despeço-me de ti olhando o teu braço, aconchego as lágrimas junto ao coração para que se aqueçam com o sentimento que daí transborda.&lt;br /&gt;Há-de haver um dia que eu sei que não te vou ver naquela estrada, em que tu não vais mais aparecer com o teu ar de menina e eu hei-de perceber nesse momento, que tu também eras influenciada pelo tempo, que provavelmente o teu mar correu noutra direcção, de volta às origens sem que eu pudesse pelo menos saltar, tentar impedir-te de caminhares noutra direcção...Ficarei sempre à espera naquela estrada, que um dia no meio dos carros a buzinar, das pessoas irritadas e dos corpos que passam e não ficam, eu consiga ver as tuas mãos a dizer-me olá e segurando um gelado derretido, com a tua cara triste e dizendo:"porque demoraste tanto tempo?"...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9826172-110469012053310070?l=-viver-comolhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9826172/posts/default/110469012053310070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9826172/posts/default/110469012053310070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://-viver-comolhos.blogspot.com/2005/01/tanto-tempo.html' title='Tanto Tempo'/><author><name>Gonçalo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9826172.post-110427509103535152</id><published>2004-12-28T23:04:00.000Z</published><updated>2004-12-28T23:07:45.213Z</updated><title type='text'>A minha luz e a minha sombra - Nós</title><content type='html'>&lt;em&gt;Para começar, o texto que deu origem a esta parceria e um novo blog. Um devaneio escrito por mim e pela Chilita já há algum tempo, alguns já conhecem e outros vão conhecer. We hope you like it&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi o reflexo no espelho. Quem era aquela? Aproximei-me. O ambiente estava pesado à minha volta. Uma luz morna iluminava o aposento, que possuía numa das suas paredes um grande espelho que o preenchia. Nada escapava ao seu olhar penetrante. Nada se conseguia olvidar àquela verdade tão irrefutável como irreal. Tão transparente como difusa. Tão enganadora como real.&lt;br /&gt;Aproximei-me suavemente e aquela outra que era eu aproximou-se também. Afastei-me e ela afastou-se também. Ri-me. Finalmente tinha o poder de ordenar e ser obedecida sem questões ou hesitar. No entanto, eu sabia que ninguém me obedecia menos e tão literalmente ao contrário como aquela figura no espelho.&lt;br /&gt;Aproximei-me mais e observei com um olhar crítico a rapariga. Por um momento fugaz desejei-a. Desejei ser como ela. Desejei ter aqueles olhos penetrantes, aquele cabelo suave, aquele corpo docemente curvilíneo, aquele lábios curvados e sensuais e aquela postura digna e confiante. O momento passou e eu voltei a olhar. E voltando a olhar, penetrei-lhe nos olhos e já não desejei ser como ela. Os olhos eram misteriosos, mas opacos, eram penetrantes, mas estavam envoltos num manto negro de solidão, eram inteligentes, mas viam demais, brilhavam, mas eram ingénuos, eram belos, mas eram tristes.&lt;br /&gt;Deparada com o que não compreendia, ou talvez com o que compreendesse demasiado bem, desviei o olhar.&lt;br /&gt;A música começou a soar.&lt;br /&gt;Animei-me.&lt;br /&gt;Comecei a cantar, sem ouvir as palavras que me saiam dos lábios. Deixei-me banhar naquela música comercial, com fraca sonoridade e melodia, mas libertadora aos meus ouvidos. As palavras que me soavam dos lábios e que eu não ouvia, da música que me soava aos ouvidos e que eu ouvia, cantavam a realidade sem a serem.&lt;br /&gt;E aí o espelho voltou a mostrar o reflexo daquela outra que era eu.&lt;br /&gt;E ela cantava. E cantando gritava a verdade. Gritava a verdade que soava aos meus ouvidos que não a ouvia. Exaltava a realidade aos meus olhos que sonhavam. Mostrava o que era a mim que não o era. Eu tentei evitá-la mas ela não me largou. E continuou a berrar-me aquela verdade que eu não ouvia. E continuou-me a mostrar aqueles olhos que eu não via. E aquela que não era real, persistiu em continuar a mostrar-me o que era. Enquanto eu existisse ela ali permaneceria, mesmo que eu a tentasse afastar ela não ia, tal como uma sombra persistente que na sua negrura nos faz ver a luz. A sua voz que eu não ouvia e os seus olhos que eu não via, gritavam uma mensagem ao meu coração que eu não compreendia. Ou talvez compreendesse demasiado bem. Mas a mensagem não passava. Ficava retida no bloqueio do meu cérebro que se esforçava por a contrariar. Por ignorar aquela outra que desejava e que era eu. Esse bloqueio que ocultava o brilho e sufocava a felicidade. Esse bloqueio que era o que não era, e nesse caso existia, prendia-me a liberdade e debitava palavras com sentido que soavam sem alguma vez terem realmente chegado a soar.&lt;br /&gt;Aquela outra eu tentou forçar o bloqueio. Uma, duas, três, quatro, cinco, cem vezes! Sem nunca desistir.&lt;br /&gt;E aí a luz apagou-se e com ela o seu devaneio louco de lucidez daquela outra que era eu.&lt;br /&gt;Porque nada existe sem a luz.&lt;br /&gt;Apenas as trevas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E do nada as trevas soltaram-se, como uma corda que não pode esticar mais e se corrói a cada milésimo de segundo, que vai rebentando, chicoteando, vibrando e levando o ar à sua frente, fazendo o vento assobiar baixinho e estalar por fim num corpo, numa parede, no nada que reside à frente. Os gritos instalaram-se da forma louca que instala a demência dentro de alguém, a voz não parava de apregoar a verdade... Qual verdade meu deus? Qual é a verdade que tanto me querem ensinar que eu não posso aprender em livros, em manuais alguns que haja perdidos em baús cheios de pó, que a vida não me pode dar porque eu sou uma alma perdida em mim, sou um farol que engoliu a sua própria luz, uma supernova de emoções catastróficas que se fundem...&lt;br /&gt;Adeus, penso eu de forma exacta e sincronizada com o lento bater do meu coração, adeus mundo de merda que ninguém quer explicar ou tentar compreender, qual verdade que está exposta nas caras dos dias e noites que passam, alguém me ajuda a fugir?&lt;br /&gt;Não quero enfrentar as trevas que se soltam, que da sua prisão se libertam e me perseguem, mas elas correm sem fim atrás de mim, no meu encalço quase que as sinto bafejar-me a nuca, sinto o calor das suas mãos frias, tão frias que me queimam o corpo quando por vezes me tocam... Sinto tanto frio... Meu Deus... Pára!&lt;br /&gt;Não vou pertencer meramente à sombra que tu representas só porque és a imagem que eu sempre quis ser, não vou cair nas armadilhas mais simples só porque julgas que eu caminho sem destino certo, como se a minha vida fosse uma floresta com nevoeiro, onde eu alma perdida tento de forma desesperada, encontrar um caminho de volta para casa.&lt;br /&gt;Casa... Onde fica a minha casa, onde fica verdadeiramente o sítio onde eu posso olhar-me de volta e não sentir o peso da alma negra que me come por dentro? Talvez não exista um lugar assim...Talvez eu sonhe demais com a paz e ignore a guerra que dentro de mim se agita como um frasquinho de um qualquer composto explosivo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero correr, não me agarres, cala-te e deixa a verdade que tu queres vender, deixa-a morrer no frio da geada da floresta que dizes que eu percorro, fica por aí, apodrece e morre na pobreza da tua perfeita imagem, eu não quero... Não quero... Não vou e não gosto de ti, não sou proporcional, não tiro fotografias perfeitas, não sei sorrir e não sei chorar... Só sei estar aqui e aproveitar os meus sentidos. Larga-me depressa e volta para o sítio de onde vieste, como um bicho assustado que foge da luz do Sol, deixa-me sofrer também... Deixa-me que aprenda a chorar sem ter de te imitar só porque tu fazes assim... Vai-te embora e não voltes a olhar-me nos olhos, não espreites... Não existas... Não me tortures mais... Por favor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu és o outro lado do espelho, eu nunca sei bem onde estou quando tu apareces... Qual é o teu lado? Quando me falas dessa forma e me fazes sentir tão irreal, qual de nós é a realidade e qual de nós é a fantasia, qual de nós é a que chora de verdade e sendo assim... Qual de nós imita quem? Eu sou a Sombra, pelo menos é o que tu me chamas quando vens triste chorar para os meus lados, eu sou a imagem reconfortante que encontras do outro lado do espelho quando decides espreitar... Sou o sorriso à noite e a cara feia de manhã...&lt;br /&gt;Onde tu existes... Eu existo, sem saber bem porquê ou como, basta-me saber que ainda assim, as tuas verdades não me servem… Vou saltar para onde se tu constantemente tentas saltar para aqui quando falas sozinha ao espelho? Quando agarras as tuas lágrimas que se reflectem na ilusão de que está ali mais alguém... Eu não sou nada, sou a sombra que nunca existiu, sou a verdade que ninguém consegue falar... Sou o outro lado do espelho, sou imitação... Cópia, alternativa, dissimulação e ilusão.&lt;br /&gt;Tu és a vida e o sangue que corre nas veias, o cabelo agitado ao vento e a mão que percorre as paredes com a ponta dos dedos.&lt;br /&gt;Eu... Sou apenas a sombra que te persegue e assombra.&lt;br /&gt;Sou as tuas trevas e tu a luz que foge de mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9826172-110427509103535152?l=-viver-comolhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9826172/posts/default/110427509103535152'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9826172/posts/default/110427509103535152'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://-viver-comolhos.blogspot.com/2004/12/minha-luz-e-minha-sombra-ns.html' title='A minha luz e a minha sombra - Nós'/><author><name>Gonçalo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry></feed>
